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    Adicional de insalubridade: quem tem direito e como calcular

    12/12/2025
    6 min de leitura

    Muita gente sente na pele que o trabalho é pesado, arriscado e desgastante, mas não sabe que isso pode virar direito no holerite. A lógica é simples: existe um risco acima do tolerado? Então pode existir adicional.

    Resposta rápida

    O adicional de insalubridade é um valor extra no salário de quem trabalha exposto a agentes que fazem mal à saúde acima dos limites permitidos, como ruído, calor, químicos e agentes biológicos. Ele depende da realidade do ambiente e, muitas vezes, de uma avaliação técnica (laudo). Se não estiver sendo pago corretamente, o trabalhador pode estar perdendo dinheiro todo mês e também deixando lacunas na documentação que ajuda na hora de discutir tempo especial no INSS.

    O que é insalubridade, em palavras simples

    Insalubridade é quando o trabalho expõe o empregado a agentes nocivos à saúde acima dos limites de tolerância, considerando intensidade e tempo de exposição.

    Pensa assim: não é o nome do cargo que manda. É o que você realmente faz, onde faz e por quanto tempo fica exposto.

    Exemplos comuns (na prática)

    • Saúde: contato com pacientes, secreções, lixo hospitalar, materiais contaminados (agentes biológicos).
    • Limpeza pesada: coleta de lixo, higienização de banheiros de grande circulação.
    • Indústria: ruído alto, calor, poeiras, óleos, solventes, vapores.
    • Construção civil: cimento, poeiras, calor, produtos químicos, dependendo da função e do ambiente.

    Tenho direito? Como saber

    A caracterização e a classificação da insalubridade seguem normas do Ministério do Trabalho e, quando discutida (inclusive na Justiça), é comum haver perícia técnica feita por profissional habilitado.

    Na vida real, estes sinais costumam acender o alerta:

    • Você trabalha com ruído, calor, poeiras, químicos, esgoto, lixo, agentes biológicos.
    • A empresa nunca apresentou laudo ambiental, ou você nunca viu nada formal.
    • Você usa EPI, mas ninguém orienta, treina, troca, fiscaliza, ou mesmo assim o risco continua.

    Quanto é o adicional e como calcular

    A lei prevê três graus, com percentuais de 10%, 20% e 40% (mínimo, médio e máximo), calculados sobre o salário mínimo, conforme a classificação do risco.

    Fórmula (para conferir no papel)

    • Grau mínimo (10%): salário mínimo × 0,10
    • Grau médio (20%): salário mínimo × 0,20
    • Grau máximo (40%): salário mínimo × 0,40

    Exemplo prático com o salário mínimo de R$ 1.518,00

    Se você quiser visualizar em números, com o salário mínimo de R$ 1.518,00, fica assim:

    • 10%: R$ 151,80 por mês
    • 20%: R$ 303,60 por mês
    • 40%: R$ 607,20 por mês

    Atenção: o salário mínimo muda com o tempo. Então os valores em reais mudam também, mas a lógica do cálculo continua a mesma.

    Base de cálculo: por que você pode ver valores diferentes

    Na prática, pode existir regra específica em acordo ou convenção coletiva, ou a empresa pode adotar base mais favorável. Por isso, se você viu valores diferentes em colegas, vale conferir a convenção da categoria e o que a empresa está usando no cálculo.

    EPI corta o adicional?

    Pode cortar, mas não no grito.

    A insalubridade pode ser eliminada ou neutralizada com medidas no ambiente e com EPI que reduza a exposição aos limites de tolerância.

    O ponto mais importante para o trabalhador é este: não basta entregar luva, máscara ou protetor. Precisa funcionar de verdade, com orientação, troca, fiscalização e prova técnica quando houver discussão. E, se o risco não foi eliminado, o tema continua aberto.

    Posso receber insalubridade e periculosidade juntas?

    Em regra, não é para acumular. Em situações em que existam as duas, o empregado pode optar pelo adicional mais vantajoso.

    Também é comum o entendimento de que não dá para somar adicionais de insalubridade só porque há mais de um agente no trabalho (ex.: ruído + calor). Em geral, vale um adicional, conforme regras e enquadramento.

    Insalubridade e aposentadoria: por que isso importa além do salário

    Além do dinheiro mensal, a documentação do ambiente de trabalho pode ser decisiva para discutir tempo especial e aposentadoria (dependendo do caso e das regras aplicáveis). Por isso, guardar e pedir documentos como PPP e laudos pode evitar dor de cabeça lá na frente.

    Checklist prático (o que observar)

    • Seu holerite tem alguma rubrica como adicional de insalubridade?
    • Se tem, o percentual (10/20/40) faz sentido com a realidade do trabalho?
    • A base usada no cálculo está clara (e bate com o que sua categoria pratica)?
    • Houve troca de função, setor, produtos, máquinas, ou aumento de exposição?
    • A empresa entregou EPI com treinamento, troca e fiscalização, ou foi só entrega?
    • Você tem ou consegue pedir PPP e documentos ambientais do período trabalhado?

    Documentos que ajudam

    • Holerites (contracheques) e recibos de pagamento.
    • Carteira de trabalho (CTPS) e descrição de função.
    • PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário).
    • Laudos e documentos de saúde e segurança (quando houver), além de ASO (admissional/periódico/demissional) e exames ocupacionais.
    • Comunicações internas sobre EPI (ficha de entrega), treinamentos e mudanças de setor.
    • Convenção coletiva (CCT) ou acordo coletivo (ACT) da sua categoria.

    FAQ

    1) Todo mundo que trabalha em hospital tem insalubridade?

    Não necessariamente. Depende do setor, do tipo de contato e do enquadramento pelas normas e pela realidade do ambiente.

    2) Meu cargo não aparece na lista. Ainda posso ter direito?

    Pode. O que pesa é a exposição real e se ela fica acima do limite de tolerância, conforme as normas.

    3) Quem define se é grau mínimo, médio ou máximo?

    A classificação segue critérios técnicos. Em discussões formais, é comum haver perícia por profissional habilitado.

    4) Se eu uso EPI, perco automaticamente o direito?

    Não automaticamente. O EPI precisa realmente neutralizar o risco aos limites de tolerância.

    5) O adicional entra no cálculo de outras verbas?

    Em muitos casos, sim, porque costuma ter natureza salarial e repercussões. Isso pode variar conforme o caso concreto.

    6) Posso receber insalubridade e periculosidade ao mesmo tempo?

    Em regra, não. Geralmente existe a opção pelo adicional aplicável.

    7) Se eu fico exposto a dois agentes (ex.: ruído e calor), soma?

    Em geral, não se soma. Normalmente se paga um adicional conforme enquadramento.

    8) O valor muda quando muda o salário mínimo?

    Sim. Se a base for o salário mínimo, o valor em reais muda quando o salário mínimo muda.

    Referências e fontes

    • CLT, artigos 189 a 195 (insalubridade, neutralização por medidas/EPI, percentuais e perícia).
    • Ministério do Trabalho e Emprego: NR-15 (Atividades e operações insalubres).
    • Convenção coletiva (CCT) ou acordo coletivo (ACT) da categoria, quando houver.

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    Marcela Albarelo

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